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Por Dra. Isadora Forbrig

03/06/2025

CLT: Por que a Consolidação das Leis do Trabalho ainda é essencial em tempos de incerteza

Por Dra. Isadora Forbrig | 03/06/2025

Nos últimos anos, tornou-se comum ouvir que “o futuro é empreender” e que “ninguém mais quer ter chefe”. De fato, uma pesquisa recente da Hibou Pesquisas e Insights mostra que 33% dos brasileiros entre 16 e 34 anos sonham em abrir o próprio negócio, enquanto 32% ainda optam pela carteira assinada e pela segurança da CLT.

O dado parece um empate técnico, mas revela uma mudança cultural. A geração mais jovem deseja autonomia, liberdade e flexibilidade profissional. No entanto, o mesmo estudo mostra que apenas 12% da população adulta tem um negócio próprio — e que 56% dos jovens que mudaram de carreira o fizeram por necessidade, não por vontade própria.

Ou seja, por trás da valorização do empreendedorismo, ainda está presente uma realidade em que a estabilidade do emprego com carteira assinada é uma necessidade para milhões de brasileiros.

A importância da CLT para a proteção do trabalhador

A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), criada em 1943, é o principal instrumento jurídico de proteção ao trabalhador no Brasil. Ela garante uma série de direitos que oferecem amparo legal, segurança financeira e previsibilidade — aspectos essenciais especialmente em momentos de crise econômica.

Entre os principais direitos trabalhistas garantidos pela CLT, estão:

  • Férias remuneradas com adicional de 1/3;
  • 13º salário;
  • Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS);
  • Licença-maternidade e paternidade;
  • Seguro-desemprego;
  • Jornada de trabalho regulamentada, com pagamento de horas extras;
  • Contribuição ao INSS e direito à aposentadoria;
  • Estabilidade provisória em casos como gravidez ou acidente de trabalho.

Esses direitos asseguram que o trabalhador tenha não apenas remuneração, mas dignidade, segurança e respaldo jurídico em diferentes fases da vida profissional.

Por que a carteira assinada continua sendo uma escolha inteligente

Muitos profissionais têm sido atraídos por promessas de independência no trabalho autônomo ou informal. No entanto, abrir mão da carteira de trabalho assinada é, na maioria das vezes, uma decisão arriscada. Empreender exige estrutura, planejamento, capital e suporte — e nem todos estão preparados para enfrentar esses desafios.

A verdade é que a estabilidade no emprego oferecida pela CLT ainda é, para grande parte da população, a forma mais segura e eficaz de crescer profissionalmente com respaldo legal. Além disso, trabalhadores CLT contam com acesso facilitado a crédito, plano de saúde empresarial, aposentadoria e proteção em caso de demissão.

Empreender é válido, mas não deve ser uma imposição

É claro que empreender é uma opção legítima. No entanto, essa decisão deve ser feita com consciência e preparo — não por necessidade ou pela ilusão de liberdade total. E mesmo quem empreende, muitas vezes, busca contratar profissionais sob o regime CLT justamente para oferecer segurança jurídica e evitar passivos trabalhistas.

Conclusão: Valorize seus direitos

A carteira assinada e os direitos da CLT continuam sendo pilares fundamentais para o equilíbrio das relações de trabalho no Brasil. Em vez de enxergá-los como limitações, é preciso entendê-los como conquistas históricas que oferecem proteção e dignidade ao trabalhador.

Se você está em dúvida sobre aceitar uma proposta de trabalho sem registro ou quer entender melhor seus direitos como empregado, procure orientação com um advogado trabalhista especializado. Escolher com base na informação certa pode evitar grandes prejuízos no futuro.

Seu direito começa com o conhecimento. E nós estamos aqui para garantir que ele seja respeitado.
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